terça-feira, junho 05, 2007


"Deverias deixar de ter pena de ti própria", disse-me uma vez uma colega minha a consolar-me dum desgosto amoroso, tinha eu 16 anos, altura em que se tem desgostos de caixão à cova e parece que o mundo vai acabar e não há ar para respirar nem nada que console a perda do mais que tudo (que provavelmente é um imbecil por estas alturas, mas enfim).
A gaja agora é psiquiatra ou coisa que o valha... Porra, deve ser uma profissional do caneco... Dar-lhe com uma cadeira nas trombas era pouco. E ainda tinha a lata de dizer que o cão dela lhe lembrava o gajo de quem ela gostava... Enfim, não vou fazer comentários sobre isto, porque aliás já foram feitos no passado. Bons tempos, de total descuido e despreocupação...
Cá para mim em vez de psiquiatra deve estar mazé internada no Júlio de Matos e a história da psiquiatria era uma desculpa para passar tanto tempo naquele asilo de loucos. Adiante.

Sempre me perguntei porque raio é que as pessoas que eu conheço que foram para psicologia/psiquiatria/terapia são precisamente as que se conhecem tão mal a elas próprias e no fundo estão tão perdidas. Tanto ou mais que o resto das pessoas. Repito, estou a falar das que conheço, não estou a generalizar. Desconfio que se tentam encontrar a elas próprias de certa forma estudando o tema. Ou então tendo medo de se encontrarem a elas próprias e não gostarem do que poderiam encontrar focam-se nos outros e nos seus problemas e esquecem-se de si próprias.

Toca a generalizar agora, afinal é o que gostamos de fazer...
Algum leitor deste blog (se é que existem) que estude/exerça esta profissão que me perdoe mas sempre tive como filosofia de vida a de ultrapassar as coisas por mim própria com a ajuda da família e de amigos. No fundo são quem me conhece melhor. No fundo são quem me entende e quem melhor percebe o que sinto e o que sou. Não consigo entender porque raio iria desabafar e tentar perceber a minha vida com uma pessoa que veria uma vez por semana e não com amigos e familiares que me conhecem de fora para dentro há anos e anos e me conhecem os vícios todos. Físicos e de pensamento. É difícil ouvir verdades da boca de pessoas chegadas? Ou é uma desculpa para se poder dizer "ele não me conhece, sabe lá ele!"?

Chamem-me ignorante, porque o sou, sobretudo neste assunto, mas acho que humanos somos todos, e errar erramos todos, e por isso mesmo me faz confusão ouvir explicações e conselhos de estranhos que têem tantos problemas ou defeitos quanto eu, normalmente até mais, sobretudo se não me conhecem de lado nenhum e sobretudo se se conhecem a si próprios tão mal.

Respeito quem procure ajuda. Conheço gente que o faz. Até gente próxima. Mas não entendo.
Sei que a mente humana é fascinante, mas são tantas as variáveis na vida duma pessoa que a moldam, que na minha opinião se torna impossível conhecer as causas todas que possam gerar certas situações. Isto excepto as pessoas que cresceram comigo e as que me viram crescer.
Acho que a melhor maneira de me conhecer é a de analisar os outros, e a melhor maneira de conhecer os outros é analisar-me a mim própria.

Onde quero chegar com isto? Nem eu própria sei. Acho que estou a analisar isto demais. O então espero que me convençam do contrário. E com isto espero sinceramente que não haja ofensas.

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