segunda-feira, julho 24, 2006


Sexta-feira Porcotte colou-se a Shoo, tendo pernoitado em sua casa, como só uma boa chula sabe fazer. Levantam-se estas duas meninas tardiamente no sábado, depois de uma noitada extasiante e esgotante, quando Shoo se vira e diz:
Shoo: “Olha, podíamos ir ver aqueles barcos, que parecem de piratas sabes?”
Porcotte: “Olha, para já... São VELEIROS, sua ignorante... Em segundo, aprende comigo que eu não duro sempre. Em terceiro, olha, até é boa ideia! Deve estar tudo na praia, aquilo até deve estar bastante vazio! Ninguém deve saber disto!”
Depois de almoçarem (e almoçarem bem! Ai meu Deus... Tagliatelle italiana feito por italianos de gema, eu até arrotei 5 vezes... E aos puns perdi a conta) dirigem-se de carro para as docas, acompanhadas dos progenitores de Shoo que quiseram também ver os veleiros.
Por um erro de cálculo, infelizmente apanhámos bicha na Avenida de Ceuta (Não me refiro a mariconços, mas a bichas de carros). Depois de muito praguejar em italiano (aprendi umas bem boas! Já me safo em Itália!), lá chegamos finalmente às Docas de Alcântara. Mais bicha (e não me refiro a homossexuais). Mais praguejar em italiano (aprendi outra novas), até que os progenitores desistem da ideia de arrumar o carro e deixam-nas ali sós e desamparadas...
Lá vão as duas a medo, a dirigirem-se para a zona dos barcos, quando vêem uma chusma de gente. Mas uma chusma inacreditável! Parecia que nasciam do chão! Parecia um formigueiro!
Elas andam ao longo do Tejo e vão vendo barcos, vão comentando, vão vendo gajos, vão comentando. A certo ponto chegam à zona da ponte móvel, onde ficam à espera que os barcos passem todos, para a ponte as deixar passar para o outro lado para verem mais barcos. Aquilo nunca mais andava, e cada vez mais gente se concentrava ali. Ás tantas elas pensam em dar mas é a volta aquela merda toda. Shoo, que é uma atada, diz a Porcotte: “Vai ali perguntar aquele bombeiro se dá para dar a volta?”. Porcotte, radiante, vai ter com o bombeiro, que era um senhor bombeiro (meu deus, um pedaço de mau caminho) e o bombeiro aconselha a esperarem pela ponte. Depois de trocas de número de telefone (isso queria ela), lá ficam à espera.
Agora a coisa curiosa: Porcotte é portuguesa de gema. Shoo é italiana de gema. Toda a gente sabe que italianos não fazem bichas, passam à frente de toda a gente: é uma lei universal. Porcotte fez-se de parva, e pôs-se na multidão à frente da ponte em vez de ir para a bicha... “Mas eu sou parva não?”. Shoo vira-se: “Mas não faz mal? Não é chato?”. Porcotte grunhe: “Macagar”.
A ponte lá gira, e elas ainda esperam que os de lá passem para cá, para elas poderem passar para lá... Suam que nem porcas, mandam bocas, apanham sol, dizem ordinarices com crianças ao pé e vêem os pais a abanar a cabeça chocados (pedimos desculpa, não é por mal). Enfim, um festival. Finalmente começa a multidão a andar, e lá vão elas, perdidas uma da outra já, a passar a ponte.
Chegam ao outro lado, e Porcotte como é inteligente decide ir por onde não estava quase ninguém. De repente, abre-se o horizonte perante elas e elas vêem um barco lindo. Perdão... Veleiro lindo. Escuro, de madeira, com dourados, imponente. Grande e roliço. Lá vão elas a correr para ver melhor aquilo. De repente apercebem-se que há uma fila para ver aquilo... PODIA-SE VISITAR POR DENTRO... De repente, vêem a bandeira italiana... ERA O VELEIRO ITALIANO! O Amerigo Vespucci!!
Shoo: “Aquilo está cheio de marinheiros italianos...”, diz ela, com um olhar vidrado.
Porcotte (a salivar): “ Eu sei...”, e o resto que ela disse já nem se percebeu.
Esperam elas na bicha, Porcotte assusta-se com uma gaja vestida de pirata que andava a assustar pessoas, e enquanto estavam na bicha... Era ver o desfile de marinheiros... Fardadinhos... Gostosinhos e apetitosos... Limpinhos, arrumadinhos. De um branco imaculado e virginal. Finalmente chega a altura de entrarem e... O Paraíso na terra. Ou no mar, depende do ponto de vista. Muito fingiram aquelas duas que olhavam para o navio... Falsas! Rebarbadas! Taradas! Andavam mas é a ver tudo o que era marinheiro. Há que dizê-lo: de todos os que estavam em cima do barco, aproveitava-se 98%. Os 2% correspondiam a marinheiras (vacas das gajas). A maioria lourinho de olhos azuis ou verdes. Alguns morenaços jeitosos. Quando Porcotte toma balanço para tirar fotografias com os jeitosos, vem um grupo de gajas atiradiças que lhe roubam a ideia. “Maldição!”, pensa ela. Segundo a outra, eram espanholas... E não vou fazer trocadilhos com espanholadas porque já agonia.
As duas moças continuam a ver o “barco”, com seu imponente mastro. Saliente-se que havia escadas bem íngremes, nas quais Porcotte deve ter mostrado o cu a toda a gente porque decidiu ir de saias (esperta, a gaja).
As duas moças saem dali, com um sorriso nos lábios. Com a sensação de que “valeu a pena”. Valeu a pena o calor, as bichas, o suor. Tudo. Saíram de barriga cheia. Com aquele sentimento de que há mais qualquer coisa para além...

1 Estrunfes que tentaram tirar o protagonismo:

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