domingo, julho 30, 2006

Caiu por terra o derradeiro combatente. Manteve-se feroz na sua posição estratégica até ao fim. Deu luta. Foi um autêntico herói. Passou despercebido muito tempo, dando dores de cabeça de vez em quando. Mas finalmente fez-se notar quando decidiu quebrar-se.
O cabrão do último siso decidiu partir-se.

Chamada urgente para a minha dentista. “Desculpe mas está de férias, tem que marcar para outro doutor”. “Estamos mal, já o arrancar de dentes é aliciante, quanto mais com quem não conheço de lado nenhum”, pensei eu. Mas tudo bem, também não estava mais para aleijar a minha boca. Não sou masoquista a esse ponto. Lá decidi marcar e acabar-lhe com a raça. Também, já sou doutorada neste striptease de dentes: já perdi a conta à quantidade que foram arrancados.
Peço ao meu pai para ir comigo, não vá ser necessário arrancar a réstia de juízo que tinha na boca (ter que voltar para casa de transportes não é do melhor) ao que ele começa logo a praguejar:
“Mas eu não tenho mais nada que fazer? Que porra de merda também, não fazes nada sozinha! Quando te casares, que aliás, nunca mais chega esse dia, para mal dos meus pecados, também vais pedir ao maridinho que te faça a papa toda? É? Que pachorra... Tanta emancipação e queima de sutiãs, para isto... Sou o ganha pão da casa e tenho que faltar para ir com a menina ao dentista. Ele é com cada uma!”. Ele queixou-se durante três dias, até ao dia fatídico, mas lá me fez o favor.
Chego, espero um pouco e o meu pai lembra-se que se esqueceu de pagar o estacionamento e vai ao carro. Sou finalmente atendida. Sento-me na cadeira, piadas do doutor a dizer que era o segundo siso que ele tirava na vida. Primeiro pensei: “Raios partam o homem... Está a brincar não? Onde me fui eu meter? Foda-se!”, até que olhei para a assistente que se estava a rir e percebi que era gozo. Injecções de anestesia, que por sinal me fizeram verter uma lágrima pela primeira vez na vida, espera 5 segundos, escavaca, puxa, e sem me dar conta, lá está aquele sacaninha cá fora, imóvel, coberto de vermelho.
“Está a ver? Estava podre!” E mostra-me o doutor o dente com um buraco cheio de nhanha lá dentro. “Porra, já o outro siso de cima nasceu morto e podre... Tenho uns dentes tão bons, sem cáries nem nada, e os sisos é que nascem podre... Será que quer dizer que o meu juízo é podre também? Estou bem arranjada...”
Vou para a recepção, e volta o meu pai. “Então? Que estás a fazer em pé?”, ao que eu respondo: “Já está!”. “Mas já está o quê? Estás parva?”. “Já está! Já arrancou!”. Pai com cara de boi: “Mas como assim? Não me demorei nem 5 minutos! Mas que merda é esta?”.
Lá pagamos, ou melhor, paga ele, não sem antes dizer: “Porque raio hei-de eu pagar? Pagas tu, andaste a trabalhar para quê? O dinheiro é para estas coisas mesmo!”. Deitei a língua de fora, e ele lá pagou.
Agora começa a tortura. Não são as dores, que isso nem tenho. É o não poder comer. Assim que saio do consultório, não sei se por sugestão se não, começo logo a sentir o estômago a mirrar e a roncar. “Tenho fome”, digo eu.
“Estás cá com uma sorte! Não podes comer nada, só líquidos! Aliás, é da maneira que poupamos algum, que da maneira que tu sorves comida, levas-me à falência. Tenho mesmo que te empandeirar com um gajo rico qualquer que ature isto.”, grunhe o meu pai.
Desde ontem que estou a líquidos e sopas passadas. E tudo frio. Até a comida do meu cão me parece apetitosa. Cada vez que olho para o meu periquito vejo um frango assado no poleiro, e o meu gato parece-se tanto com um coelho à caçador. Os sacanas dos Oliveiras desde que souberam disto, que se decidiram a fazer churrascos no quintal, mesmo ao lado da janela do meu quarto. A toda a hora me vem o cheiro a carne assada e grelhada. Sacanas, só porque o meu pai ainda não lhes devolveu o corta relvas... Desde aí que os nossos quintais se tornaram na faixa de Gaza da Península Ibérica. Não tenho pachorra mesmo.
Eu só quero é comer. Comer, comer e comer.

4 Estrunfes que tentaram tirar o protagonismo:

  • AHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHAHAHAHAHAHAHAAHAHAHAHAHAHHAH ao melhor estilo da Porcotte...
    Juízo... o pouco que tens é podre mesmo!!! AHAHAHAHAHAHAH e agora já nem isso tens, badalhoca nojenta!!!
    Glorioso post porca... venham mais...

    By Blogger Sari, at 31 julho, 2006 00:02  

  • Simmmmmmm... GLORIOSO!

    Palmas para a Porcotte!
    Beijinhos para o pai da Porcotte que eu adoro!
    Uma salva de palmas para os Oliveiras!
    E tu Porcotte vaita lixar - devias escrever um livro sobre os teus pais e os Oliveiras!
    Eu comprava!
    Ah...os meus sisos tambem nasceram podres, mas eu fui na sexta ao psiquiatra!
    ;P

    By Blogger Maria Vinagre, at 31 julho, 2006 09:42  

  • O pai da Porcotte mete-me medo...

    By Blogger headache, at 31 julho, 2006 10:44  

  • ...mais medo mete a imagem da Porcotte desdentada, exigindo morfes...

    By Blogger SUSHISTICK, at 31 julho, 2006 13:50  

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